Do Cassino ao Chuí em 1 dia: 220 km de bicicleta na areia da praia

Voltamos a Praia do Cassino e percorremos toda a sua extensão de bicicleta, em um único dia. Foram 220 quilômetros de areia da barra de Rio Grande até a barra do Arroio Chuí.

Relembrando

Em 2017 realizamos o nosso primeiro pedal do Cassino ao Chuí, no total de 225 km, pela praia.

Foi um pedal fantástico, que nos abriu um novo olhar sobre o imenso litoral do Rio Grande do Sul. Essa aventura e nossas impressões sobre o local foram detalhadas no texto Do Cassino ao Chuí: um pedal na maior praia do mundo.

Durante o planejamento daquele pedal achamos que seria um percurso que poderia ser realizado em um único dia, mas acabamos optando por dois dias por termos nos encantado com a possibilidade de dormir no Farol do Albardão e aproveitar melhor a praia.

Mas ficou a vontade de nos desafiar e percorrer a totalidade da praia em um único dia, de bicicleta.

A intensa movimentação de navios na partida nos Molhes do Rio Grande: Vânia, Bóris, Paolo e Nattan.

Tentamos convencer várias pessoas, mas diziam que era loucura ou impossível de realizar.  Realmente não achamos qualquer registro de pessoas que tenham feito de bicicleta em um único dia, mas isso não significava que não seria possível.

Em início de março de 2019, confiando em nossa experiência pessoal na região e no litoral, decidimos voltar à cidade de Rio Grande com alguns amigos que toparam o desafio de fazer a maior praia do mundo de bicicleta em um único dia.

O Pedal na maior praia da mundo

Para encarar 220 km de areia de praia é necessário estar muito bem preparado fisicamente e de cabeça, pois é um longo caminho sem rota de fuga e sabíamos que não seria fácil de realizar em um único dia.

E assim partimos felizes dos molhes do Rio Grande com o sol nascendo e um leve vento nordeste a soprar.  

Toda A Maior Praia do Mundo para percorrer

Iniciamos num ritmo moderado e à medida que fomos avançando fomos aumentando a velocidade. E todo o agito do Balneário do Cassino foi rapidamente ficando para trás.

A praia estava firme em boa parte do percurso

Diferente de 2017, a praia estava sem as bolotas de lama que ocupavam o trecho inicial de nosso percurso. Diferente daquilo, a o trecho entre os molhes e o Balneário do Cassino está transformado em uma avenida, com áreas de circulação e estacionamento bem delimitadas e uma imensa circulação de carros no local.

Os aerogeradores giravam firmes com o vento que soprava

E a primeira parada foi no encontro com o Navio Altair, agora com um pedaço a menos.

Nessa parte inicial da praia passamos por muitos pescadores e suas famílias aproveitavam a orla – o tempo estava perfeito.

Reencontramos o Navio Altair, um pouco mais consumido pelo mar

A partir do fim da manhã o vento soprava firme e nos ajudava a pedalar em ritmo forte. E rapidamente fomos passando pelos arroios que cortam a praia, bandos de pássaros e os faróis Sarita e Verga, nossos velhos conhecidos.

Aproveitamos a proximidade do farol Sarita para uma parada

Mais a frente, a grande novidade, encontramos a mais nova vítima da praia: o pesqueiro Talha-Mar.

A mais nova vítima dos mares do sul: Pesqueiro Talha-mar
O pesqueiro Talha-Mar encalhou recentemente. A fama de cemitério de barcos continua forte nos mares do sul.

E assim seguimos pedalando em ritmo puxado, para na metade do dia alcançar o Farol do Albardão. E a nostalgia nos fez os olhos brilhar.

Em frente ao Farol Albardão relembramos nossa outra passagem pela praia

Continuando nosso caminho na praia-estrada passamos e fomos passados por grupos de veículos 4×4 e motoqueiros que cruzavam a praia. Também passamos por várias pessoas que faziam a maior praia do mundo a pé.

Estávamos bem satisfeitos com nosso ritmo e vimos que se assim continuássemos conseguiríamos completar bem nosso desafio.

Por muito tempo éramos os únicos naquela praia imensa

O concheiro

De repente a pedalada se tornou muito pesada e amarrada, e nossa alegria gradativamente sumiu do rosto: havíamos alcançado o Concheiro.

O concheiro é um trecho enorme de praia que é todo em conchas e areia muito fofa. É um lugar de beleza ímpar, mas muito temido por sua imprevisibilidade. Nós já sabíamos disso, mas mesmo assim não acreditávamos que estaria tão extenso – praticamente o dobro em relação a vez anterior.

Se existe uma coisa do concheiro que se pode contar é com o “inesperado”.

Tentávamos em vão buscar local firme para pedalar, pois as conchas e areia fofa dificultavam nosso avanço.  Nossa velocidade caiu, paramos inúmeras vezes, mas prosseguimos pedalando e passamos esse trecho difícil, que só terminou nas proximidades da vila do Hermenegildo, já com o sol se pondo.

Dessa vez o concheiro se apresentou em toda a sua grandiosa dificuldade. E fomos forçados a baixar o ritmo.

E na pracinha de Hermenegildo descansamos, satisfeitos, por saber que faltava pouco. E a coca-cola da praça nos restaurou os ânimos e partimos para os 10 quilômetros finais de nosso pedal.

O mais incrível foi que nessa parte final disparamos num ritmo louco de pedal para tentar concluir o trajeto em menos de dez horas pedaladas. Avançávamos com velocidade na praia escura desviando dos buracos feitos pelos pescadores na certeza que iríamos realizar nosso desafio. Uma verdadeira “pauleira” após duzentos e dez quilômetros de praia pedalados.

Embora cansados, Eu, Bóris e Paolo chegamos animados em nosso destino. Tínhamos completado o desafio de pedalar a maior praia do mundo em 1 dia.

Chegamos nos Molhes da barra do Chuí os três juntos, Paolo, Bóris e Vânia, completando os 221 km de praia em 9 horas e 45 minutos pedalados.

Estava vencido o desafio de pedalar a maior praia do mundo, dos molhes do Rio Grande aos Molhes Chuí, em um único dia.

Toda a equipe reunida: Nattan, Andréia, Dirceu, Paolo, Vânia e Bóris

Registros da Atividade

Cassino ao Chuí em 1 dia

Escrito por

Natural de Florianópolis, onde vivo por opção e sou ciclista por diversão. Através da bicicleta encontrei uma forma de ver o mundo e me manter saudável.